40 Exemplos de
Aliteração

A aliteração é uma figura de linguagem que consiste em repetir um ou vários sons em um ou mais versos ou frases, com uma finalidade expressiva ou estética. Por exemplo:

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

Fragmento do poema de Cruz e Sousa, Violões que Choram.

Uma aliteração ocorre quando se repetem sons em palavras contíguas ou próximas. O caso mais frequente ocorre com as consoantes, mas também podem repetir-se as vogais, um grupo de sons e inclusive uma sílaba completa. Por exemplo: Três tigres tristes para três pratos de trigo.

A aliteração é a figura fônica por excelência, já que sua finalidade é produzir certa musicalidade em um texto com o objetivo de embelezá-lo. Ao repetir um som com mais frequência do que outros, a língua chama a atenção para si mesma, e isto é característico da função poética da linguagem.

Uma aliteração pode ser encontrada em diversos gêneros literários, mas os mais frequentes são:

  • Trava-línguas, trocadilhos e rimas infantis. Nestes gêneros, as aliterações costumam ser utilizadas para ensinar ou transmitir determinados sons às crianças ou com uma finalidade lúdica. Pode-se repetir alguma consoante ou um grupo consonântico em várias palavras de uma mesma frase. Por exemplo: O rato roeu a roupa do rei de Roma.
  • Poemas. Na poesia, as aliterações são usadas para embelezar a escrita e dar uma sonoridade particular aos textos. Pode-se repetir um único som ou vários. Por exemplo: Pedro pedreiro penseiro esperando o trem que já vem, que já vem, que já vem (Chico Buarque, Pedro Pedreiro).

Exemplos de aliteração em trava-línguas e rimas infantis

  1. Minha mãe me mima, minha mãe me ama.
  2. O veleiro das velas violetas flamejam como ave que voa livre.
  3. Pedro se penteia, Pedro come batatas, Pedro chupa um pirulito, Pedro tem poucos primos .
  4. Quem com ferro fere, com ferro será ferido
  5. Em breve um pequeno voo verde.
  6. A pia pinga, o pinto pia. Quanto mais a pia pinga, mais o pinto pia.
  7. Erre com erre guitarra, erre com erre barril, que rápido rodam as rodas da rodovia.
  8. Três tristes trapezistas correm com três trevos.
  9. A arara de Araraquara é uma arara rara.
  10. Sábia sabido sabe assobiar.
  11. Correm correndo as carroças e os carros pela estrada.
  12. Dorme o gato, corre o rato e foge o pato.
  13. Chove chuva, chove sem parar.
  14. O sabiá não sabia que o sábio sabia que o sabiá não sabia assobiar.
  15. Compadre, compre-me um coco! Compadre, coco não compro, porque quem pouco coco come pouco coco compra e, como eu pouco coco como, pouco coco compro!
  16. Filhos criados, trabalho dobrado.
  17. A molecada corre e corre, ninguém tá triste.
  18. O padre Pedro procurou a primeira batina preta.
  19. Anselmo coloca a sua mochila ao sol para que seque.
  20. Essa desmesura de paixão, é loucura do coração.

Exemplos de aliteração na poesia e na música

Já sei namorar
Já sei beijar de língua
Agora só me resta sonhar
Já sei onde ir
Já sei onde ficar
Agora só me falta sair

Os Tribalistas, fragmento da música Já sei namorar

Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial. Ela ocorre logo após a abertura: Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras […]

Chico Anysio, provérbio de Mundo Moderno

Entre brumas, ao longe, surge a aurora.
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral ebúrnea do meu sonho
Aparece, na paz do céu risonho,
Toda branca de sol.

Alphonsus de Guimaraens

E o sino canta em lúgubres responsos:
Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!

Alphonsus de Guimaraens, fragmento do poema “A catedral”

Vovó viu a uva
mas não viu o vovô
que viveu a vida
voando
e velejando
em busca de vivas.
Vovó viveu a vida,
vigiando vovô,
que não via a uva
pelo lado vívido
da vivência
voraz.

Wagner Martins, fragmento do poema Aliteração

Que a brisa do Brasil beija e balança.
Castro Alves, fragmento do poema Navio Negreiro

Ninguém lhe fala; o mar de longe bate;
Move-se brandamente o arvoredo;
Leva-lhe o vento a voz, que ao vento deita.

Luís de Camões, fragmento do poema “O céu, a terra e o vento sossegado”

As estrelas em seus halos
Brilham com brilhos sinistros…
Cornamusas e crotalos,
Cítolas, cítaras, sistros,
Soam suaves, sonolentos,
Sonolentos e suaves,
Em Suaves,
Suaves, lentos lamentos
De acentos
Graves,
Suaves…

Eugênio de Castro, fragmento do poema “Um sonho”

Chove chuva
Chove sem parar

Pois eu vou fazer uma prece
Pra Deus, nosso Senhor
Pra a chuva parar
De molhar o meu divino amor

Jorge Ben Jor, fragmento da música Chove chuva

A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto colada no chão nas sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre, ninguém tá triste
(…)
Tá no céu balão de bucha não espere o tiro apenas mire
Depois da benção o peito amassado
É hora do cerol é hora do traçado
Quem não cobre fica no samba atravessado
Sobe balão no céu rezado

O Rappa, fragmento da música Reza a vela

Ó cisnes brancos, cisnes brancos,
Por que viestes, se era tão tarde?
O sol não beija mais os flancos
Da Montanha onde morre a tarde.

Ó cisnes brancos, dolorida
Minh’alma sente dores novas.
Cheguei à terra prometida:
É um deserto cheio de covas.

Alphonsus de Guimaraes , fragmento do poema “Cisnes brancos”

Pensando nisto — ó raiva! pensando nisto — ó fúria!
Pensando nesta estreiteza da minha vida cheia de ânsias,
Subitamente, tremulamente, extraorbitadamente,
Com uma oscilação viciosa, vasta, violenta,
Do volante vivo da minha imaginação,
Rompe, por mim, assobiando, silvando, vertiginando,
O cio sombrio e sádico da estrídula vida marítima.

Fernando Pessoa, fragmento de poesias de Álvaro de Campos – “Ode marítima”

[…] Sou um mulato nato
No sentido lato
Mulato democrático do litoral […]

Caetano Veloso, fragmento da música Sugar Cane Fields Forever

Mexe […] dentro, doida
…coisa, doida, dentro mexe
[…],
Deixe de manha, ‘xe de manha,
Sem essa aranha, sem essa aranha, sem essa aranha!
Nem a sanha arranha o carro
… o sarro arranha a Espanha
Meça: tamanha!

Caetano Veloso, fragmento da música Qualquer coisa

…o pato
Pato aqui, pato acolá
Lá vem o pato
[…]
O pato pateta
Pintou o caneco
[…]
Pulou do poleiro
No pé do cavalo…

Toquinho e Vinícius, fragmento da música O pato

Olha a bolha d’água
no galho!
Olha o orvalho!
Olha a bolha de vinho
na rolha!
Olha a bolha!
Olha a bolha na mão
que trabalha.
Olha a bolha de sabão
na ponta da palha:
brilha, espelha
e se espalha.
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino:
A bolha da chuva da calha!

Cecília Meireles, fragmento do poema “Bolhas”

Filho do ferro e da fagulha
fulgurando na forja formidável
o seu fole afrouxo e sua força
em face do fiscal e da folhinha
de papel.

Carlos Drummond de Andrade, fragmento do poema “Ferreiro”

Eu vi as velas do veleiro
Que vinha visitar o vilarejo.
Ao ver que era verdade
O que o velho nos disse
Virei para o lado e avistei
O velho senhor visionário
Vagando pela praia dourada.

James Morais, fragmento do poema “Visita ilustre”

Sou pélago profundo e a maldição que empluma.

Silvia Mota, fragmento do poema “Notívaga ferida”

Não perdoar arroz, nem cuscuz quente.

Gregório de Mattos, fragmento do poema “Confusão do festejo do entrudo”

Toda gente homenageia Januária na janela.

Chico Buarque, fragmento da música Januária

Aliteração e onomatopeia

Às vezes, confunde-se a aliteração com a onomatopeia, mas são elementos diferentes. A aliteração é a repetição de um ou vários fonemas e em algumas ocasiões, além de dar musicalidade à mensagem, tenta evocar certos sons. Por exemplo: Salivo no teu sentir e salivas solícito no meu. Neste fragmento do poema de Silvia Mota se utiliza a repetição da letra S com a intenção de sugerir a sonoridade das palavras salivo e salivas.

A onomatopeia, pelo contrário, é o procedimento de formação de palavras a partir da imitação de determinados sons relacionados com o que designam na realidade. Por exemplo: au! au! (evoca o latido de um cachorro) ou bum (evoca o barulho de uma explosão ou uma batida).

Outras figuras de linguagem ou figuras de estilo

As figuras de linguagem são maneiras não convencionais de usar as palavras para dar maior beleza, expressividade ou vivacidade.

MetáforaÉ a identificação de um objeto real com um objeto imaginário, com o qual ele mantém uma relação de similaridade.Este lugar é um paraíso.
Comparação ou símileEstabelece uma relação explícita de similaridade entre dois elementos, com base em alguma característica comum, e geralmente acompanhada de um conectivo.Ficou como uma fera.
HipérboleÉ um exagero com o objetivo de intensificar, degradar ou ampliar.Estou morrendo de saudades.
PersonificaçãoÉ a atribuição de qualidades humanas a seres ou animais inanimados.As árvores choram.
AliteraçãoÉ a repetição de fonemas vocálicos ou consonantais em palavras próximas.Minha mãe me mima.
AnáforaÉ a repetição de uma ou mais palavras no início de duas ou mais frases consecutivas.Aqui estamos, aqui permaneceremos.
SinestesiaÉ a atribuição de sensações físicas a sentimentos ou a conceitos aos quais tal atribuição não corresponderia.Escutávamos o doce som da flauta.
MetonímiaÉ a designação de um objeto ou ideia com o nome de outro, com o qual se relaciona por contiguidade ou aproximação.Este ano leremos Os Lusíadas.

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Como citar?

As citações ou referências aos nossos artigos podem ser usadas de forma livre para pesquisas. Para citarnos, sugerimos utilizar as normas da ABNT NBR 14724:

RIBAS, Natalia. Aliteração. Enciclopédia de Exemplos, 2023. Disponível em: https://www.ejemplos.co/br/aliteracao/. Acesso em: 17 maio, 2024.

Sobre o autor

Autor: Natalia Ribas

Licenciada em Letras (Universidad de Buenos Aires).

Traduzido por: Cristina Zambra

Licenciada em Letras: Português e Literaturas da Língua Portuguesa (UNIJUÍ).

Data de publicação: 29 junho, 2023
Última edição: 24 abril, 2024

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